segunda-feira, agosto 17, 2009

"Nódoas negras sentimentais"


Todos nós temos marcas deixadas por contos de amor sem final feliz, histórias mal resolvidas ou que nunca chegaram a começar. Há quem coleccione pequenos hematomas sentimentais, que desaparecem passado algum tempo. Muitos sofrem com a dor causada por verdadeiras feridas incisas, que, por vezes, deixam profundas cicatrizes. Há também quem se queixe de verdadeiras fracturas expostas, de cheiro pútrido, que nos perseguem durante anos sem cicatrizar. Estas são as mais difíceis de curar. E passados uns anos, quando pensamos que já recuperámos, voltamos a sentir a mesma dor lancinante, que nos faz cerrar os pulsos e tentar aguentar, calados, aquele sofrimento tão familiar e indesejável.


Eu tenho algumas cicatrizes que fui coleccionando ao longo dos anos. Umas profundas, outras quase superficiais, no entanto, lembro-me o que causou cada uma delas. Lembro-me de cada marca, cada golpe, cada queda... São bem diferentes daquela cicatriz que tenho no joelho; lembro-me dela desde sempre, mas já não sei como nem porquê ela apareceu. Perguntei à mãe, e ela também não se lembra: "Sei lá eu! Andavas sempre a magoar-te!" Destas, eu lembro-me de todas, sem precisar que ninguém me lembre porque raio anos depois ainda dói...
- Parece que continuo a magoar-me com muita frequência, mãe.
- Deixa lá, filha. Isso passa, passa sempre.
- Já estou demasiado danificada para tentar "sarar as feridas e recomeçar"...

S.M.

1 comentário:

Flávio Neto disse...

Não te preocupes, estamos sempre prontos para mais uma marretada na cabeçorra :)